Tratamento com Balão Intragástrico

O que é o Balão Intragástrico

Balão Intragástrico (BIG) é um tipo de terapia bariátrica endoscópica, ou seja, é um tipo procedimento bariátrico, porém, não é uma cirurgia! Não tem corte!! Trata-se de uma técnica realizada por endoscopia digestiva alta (EDA) utilizada no tratamento adjuvante para contra o sobrepeso e obesidade, pois além de eficaz, possui uma natureza minimamente invasiva e temporária. Durante o exame de EDA é introduzido uma prótese de silicone e quando atinge a câmara gástrica, essa prótese é preenchida com uma solução específica. Dessa forma, o espaço do alimento é ocupado por esse balão, permitindo que a pessoa consiga seguir o tratamento contra o sobrepeso e obesidade de forma segura e confortável, através de uma dieta mais restrita, sem sentir fome! Além da perda de peso, o BIG contribui para a melhora de algumas comorbidades associadas à obesidade como a esteatose hepática (gordura no fígado) e resistência à insulina (pré-diabetes). É um procedimento aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No geral, a terapia com balão intragástrico pode atingir uma perda de peso corporal total de 15 a 20%, a curto prazo. Medidas adicionais podem ser necessárias para o paciente manter ou mesmo continuar a perda de peso após a terapia com o BIG, como cirurgia, fármacos ou repetição da terapia com balão.

Como o Balão Intragástrico ajuda no processo de emagrecimento

O BIG apresenta diversos mecanismos de ação que juntos vão te auxiliar no processo de emagrecimento. Primeiramente existe a ação mecânica. Por ocupar uma boa parte da câmara gástrica, o balão reduz a capacidade do estômago para acomodar alimentos, logo, o paciente não consegue tolerar grandes quantidades de alimentos de uma só vez. A distensão das paredes do estômago causada pela presença contínua do balão, provoca uma diminuição no esvaziamento gástrico. Essa diminuição faz com que os alimentos permaneçam por mais tempo no órgão, ocasionando períodos maiores de saciedade, através do estímulo de um complexo eixo neuro-humoral. As células da parede gástrica constantemente estimuladas, alterem a produção natural de hormônios envolvidos na saciedade, como a grelina, avisando o cérebro que não há mais necessidade de comer.

Agende o seu procedimento na Wescope.

Agendar agora

Indicações para o Balão Intragástrico

Está indicado para pacientes com índice de massa corporal (IMC) a partir de 27kg/m². Neste grupo existem vários grupos de pacientes que se beneficiam com o uso do BIG. Fizemos uma tabela para ficar melhor para visualizar:

PACIENTES CANDIDATOS AO USO DO BIG
PACIENTES CANDIDATOS AO USO DO BIG Pacientes com sobrepeso e obesidade, com IMC > 27.
Pacientes com IMC >35, que apresentam contraindicações ou não querem ser submetidos à cirurgia bariátrica.
Pacientes com excesso de peso refratários ao tratamento clínico habitual.
Pacientes com contraindicação ou refratários ao uso de medicamentos utilizados no tratamento clínico.
Pacientes com obesidade extrema (IMC > 50) como ponte para a cirurgia bariátrica.
Pacientes que irão ser submetidos a diversas cirurgias, onde a obesidade configura um importante fator de aumento do risco cirúrgico (IMC extremo com doenças associadas).
Pacientes com comorbidades que provocam lentificação do metabolismo, como o hipotireoidismo, que aumenta a dificuldade de perda de peso e facilita o ganho de peso.
Pacientes com comorbidades secundárias à obesidade, como alterações nos joelhos ou na coluna.
Pacientes com infertilidade ou dificuldade para engravidar, quando a obesidade é identificada como causador ou complicador do processo.
Pacientes com obesidade infantil, quando indicado pelo pediatra.
Paciente com sobrepeso (IMC > 25Kg/m2 ) com esteatose hepática.

Contraindicações para o Balão Intragástrico

Existem algumas situações que impossibilitam o implante do BIG. Para ter certeza de que este procedimento está indicado para o seu caso, é muito importante que você passe em avaliação com um de nossos especialistas. Além da consulta médica para identificarmos as possíveis complicações, o paciente necessita realizar uma endoscopia digestiva alta para avaliarmos trato gastrintestinal superior, que pode ser realizada no dia da implantação, antes da colocação, ou previamente, de acordo com a preferência do paciente. Listamos algumas das condições que podem impedir o uso do balão:

  • Cirurgia gástrica prévia (pacientes que já foram submetidos a algum tipo de cirurgia gástrica como retirada de tumor, cirurgia bariátrica ou válvula antirrefluxo).
  • Hérnia de hiato > 5cm (essa condição é diagnosticada através da endoscopia digestiva alta).
  • Anormalidades no esôfago ou na faringe (como tumor ou desvios congênitos).
  • Anormalidade na mucosa gastrointestinal (como úlceras em fase ativa, pólipos gigantes ou divertículos).
  • Doença inflamatória intestinal (como a Doença de Crohn em avividade).
  • Varizes gástricas ou esofágicas (uma condição associada a pacientes que tem Cirrose).
  • Uso de anticoagulantes sem possibilidade de interrupção (são medicamentos que afinam o sangue).
  • Gestação (pacientes gestantes ou que pretendem engravidar logo).
  • Situações clínicas que impossibilitem o procedimento endoscópico (como doença cardio-pulmonar grave).
  • Transtornos psicológicos descompensados, alcoolismo ou dependência química.
  • Pacientes com doença renal crônica que necessitam de diálise.
  • Síndrome da imunodeficiência adquirida.
  • Presença de mais de um balão gástrico simultâneo.

Tipos de Balões Intragástrico

Os balões intragástricos variam em termos de material, duração da terapia, volume do balão, ajustabilidade e metodologia de inserção e remoção. Os principais tipos de balão são:

  • Balão de líquido não ajustável de 6 meses.
  • Balão de líquido não ajustável de 12 meses.
  • Balão de líquido ajustável de 12 meses.
  • Balão de ar.
  • Balão deglutível.

Os balões de líquido são os mais utilizados atualmente. São compostos de silicone, preenchidos com solução salina e corante de azul de metileno, com volumes que podem variar de 400 a 700 ml. Devem ser colocados e retirados por endoscopia.

O balão líquido não ajustável é o balão que está há mais tempo no mercado e o que possui o maior número de estudos sobre o seu uso, resultados, manejo e intercorrências. Por não ser ajustável, seu volume não pode ser alterado durante o tratamento. Se o paciente não tolerar os sintomas durante a fase de adaptação, mesmo com as medidas e orientações médicas, ele deve ser retirado, não tem como reduzir o seu volume. Também não é possível aumentar o seu volume durante o período de tratamento em caso de paralização da perda de peso ou reganho. Existem duas opções de tempo de permanência, 6 meses ou 12 meses. O tratamento mais prolongado tem a vantagem de ajudar na estabilização do peso perdido, bem como na consolidação da reeducação alimentar. Estruturalmente a diferença é praticamente nula, exceto por um reforço no silicone para durar os 12 meses.

O sistema de balão ajustável é um único com um cateter que permite ajustes, aumentando ou diminuindo seu volume, quantas vezes forem necessárias (é claro que custos adicionais para isso). Tem uma duração de até 12 meses. O valor do balão ajustável, em geral, é bem superior aos outros tipos de balão de líquido. Não há relevância estatística na perda de peso entre esses balões, porém os reajustes após 3 meses de permanência demonstram uma perda maior de peso ao longo do tratamento.

Ambos os balões ocasionam sintomas desagradáveis na fase de adaptação (primeiros dias após inserção do balão). Em relação às úlceras gástricas, o balão ajustável tem uma taxa de incidência de pouco mais de 5%, enquanto os outros balões apresentam taxas menores que 0,4%. A maior incidência de úlceras com o balão ajustável está relacionada à presença do cateter de ajuste. Quanto a taxa de incidência de hiperinsuflação, esvaziamento espontâneo, migração e perfuração no implante e explante, não existe diferenças significativas entre eles.

Os balões preenchidos por ar têm um volume de aproximadamente 550ml. são inseridos e removidos por endoscopia e tem uma duração de até 6 meses. São feitos de um polímero, não de silicone, como os outros, por isso não rompe, mas pode esvaziar. A principal vantagem deste tipo de balão é a tolerabilidade aos sintomas iniciais na fase de adaptação. Outra vantagem é que esse balão tem uma perda de peso mais gradativa e constante que o balão de líquido, que tem uma perda mais abrupta nos 3 primeiros meses e depois reduz muito a velocidade de perda. As desvantagens incluem dificuldade de implantação e a falta de azul de metileno, que torna o diagnóstico da desinsuflação difícil, aumentando o risco de obstrução intestinal. Avaliação do correto posicionamento é realizada através uma radiografia de abdome.

O balão deglutível é um dispositivo de cápsula de gelatina ligado a um cateter. Ele é deglutido com um pouco de água, sob supervisão do médico especialista e posteriormente insuflado com ar ou uma solução específica, após a confirmação fluoroscópica da colocação. Pelo volume deste balão ser menor que os outros tipos, podem ser colocados até 3 balões, com intervalo de 30 dias, e todos devem ser removidos após 4 meses da inserção do primeiro. Tem a vantagem de ser implantado sem endoscopia. A válvula desse balão é feita com uma substância gelatinosa que se desfaz, com o tempo e permite que o balão se esvazie sozinho e saia naturalmente pelas fezes. No entanto, a endoscopia pode ser necessária para a remoção a depender da situação ou marca utilizada.

Segurança e efetividade do Balão Intragástrico

É tudo muito seguro: o paciente vem para a nossa clínica, faz o procedimento sob sedação, que dura entorno de 20 minutos, fica 2 horas em recuperação e já pode ir para casa. Nesse período em que o balão está dentro do indivíduo, é necessário que o paciente siga à risca as nossas orientações.

O tratamento da obesidade é multidisciplinar, o que significa que precisa de um acompanhamento conjuntos com vários profissionais, como o nutricionista e o psicólogo, e necessita principalmente do comprometimento do paciente com o seu tratamento. Portanto é verdade que alguns pacientes que colocaram o balão não emagrecem ou emagrecem pouco. Ou seja, o balão não é milagroso, mas, sim, uma excelente opção para quem quer auxílio na perda de peso e melhora na qualidade de vida.

O perfil de segurança dos balões intragástricos é muito relevante. Eventos adversos graves do balão são extremamente raros, representando menos de 0,1%, de acordo com diversos estudos em todo o mundo.

Complicações possíveis do Balão Intragástrico

Os eventos adversos podem estar associados ao procedimento ou ao próprio balão. As queixas mais comuns após a colocação do BIG são sintomas gastrointestinais leves como náuseas, dor abdominal, vômitos, azia, constipação, refluxo e eructação (arrotos). Até aproximadamente 91% dos pacientes terão alguma forma dos sintomas. Porém esses sintomas são passageiros.

Apesar das baixas taxas de complicações (< 0,1%), alguns eventos adversos mais complexos podem ocorrer, dentre eles estão: lesões esofágicas, ruptura do balão, migração, impactação, úlceras e sangramentos, perfuração e pancreatite. Mas não se preocupe, nossa equipe está preparada para assisti-lo em qualquer situação.

Perguntas frequentes

O BALÃO INTRAGÁSTRICO É UM TIPO DE CIRURGIA?
Não! É um tipo de tratamento adjuvante para o sobrepeso e obesidade, porém não se trata de um procedimento cirúrgico. A introdução e retirada é feita por endoscopia digestiva alta, com sedação.
DEPOIS DE COLOCADO, EU CONSIGO SENTIR O BALÃO INTRAGÁSTRICO?
Sim, existe uma sensação, como se houvesse “algo diferente dentro do estômago”, mas pode variar de pessoa para pessoa. Após um certo tempo essa sensação diminui. Algumas pessoas podem referir um desconforto, como "estômago alto".
TENHO QUE FICAR DE REPOUSO APÓS COLOCAR O BALÃO INTRAGÁSTRICO?
Nos primeiros dias é comum que você sinta um certo grau de fraqueza, consequente à fase de adaptação do balão no estômago. Após esse período você pode realizar suas as atividades habituais, inclusive os exercícios físicos, porém de leve intensidade.
COM O BALÃO INTRAGÁSTRICO EU PARO DE SENTIR FOME?
O balão intragástrico não vai tirar sua fome 100%, mas tende a ter uma diminuição considerável. Isto ocorre pois ele passa a ocupar uma boa parte da câmara gástrica, provocando uma sensação de saciedade precoce. Logo, você irá comer menos, pois logo estará satisfeito com uma menor quantidade de comida ingerida. Você consegue perceber isso de forma mais evidente nos 3 primeiros meses de tratamento. Mas atenção! O balão não inibirá a sua fome psicológica, ou seja, aquela causada pela compulsão que alguns pacientes apresentam, não estando relacionada diretamente à fome. Por isso a avaliação e acompanhamento com psicólogo torna-se importante.
VOU PRECISAR TOMAR REMÉDIOS COM O BALÃO?
Como em qualquer tratamento médico, os remédios podem ser necessários para complementação terapêutica e prevenção de complicações. O controle da acidez do estômago com o uso constante de medicação específica (inibidores da bomba de prótons – “prazóis”) é um exemplo de medicação que está indicada durante o tratamento com o balão intragástrico.
O BALÃO INTRAGÁSTRICO PODE ESTOURAR?
A incidência de vazamento de líquido do balão é muito baixa, porém pode ocorrer sim. Por causa disso, o balão é preenchido por um líquido com corante específico (o azul de metileno), que exibe uma colocação azul. Caso haja extravasamento de líquido esse corante irá ser filtrado pela urina, que ficará temporariamente com uma coloração esverdeada. Mas não se preocupe, esse corante não é tóxico ao organismo! Em caso de rompimento do balão, o paciente deverá entrar em contato com a equipe, programar uma para uma avaliação endoscópica e possivelmente retirada do balão.
O QUE PODE CAUSAR O ROMPIMENTO DO BALÃO DENTRO DO MEU ESTÔMAGO?
Eventualmente temos a condição do balão estourar ou dele vazar pela válvula de insuflação. Com o passar do tempo, devido a ação do suco gástrico, alimentos muito ácidos e proliferação excessiva de fungos sobre a parede do balão, essa pode ir se fragilizando e aumentando a chance de romper. Principalmente após o sexto mês da colocação. Este evento é raro e não há motivo de preocupação. Se isso ocorrer a urina irá adquirir temporariamente uma colocação azul-esverdeada, proveniente do corante que é colocado no interior do balão no momento da sua insuflação.
COMO É POSSÍVEL O BALÃO SER CONTAMINADO POR FUNGOS?
Esta é uma complicação possível, a colonização fúngica da parede externa do balão. De acordo com a literatura médica mundial, esse índice é menor que 5% dos casos. Essa colonização pelos fungos é completamente assintomática (o paciente não apresenta qualquer sintoma). O problema é que o fungo no balão aumenta a fragilidade do mesmo, diminuindo sua vida útil, podendo ocasionar rompimento espontâneo antes do prazo, e em alguns casos a colonização é tão importante que dificulta sua retirada (porém não a impede).
AINDA SOBRE A PRESENÇA DE FUNGOS NO BALÃO, EU PRECISO TOMAR ANTIBIÓTICOS?
Na maioria das vezes não! Os fungos são parasitas que normalmente não sobrevivem na acidez de um estômago normal. A única bactéria conhecida que consegue proliferar no estômago é o Helicobacter pylori. No entanto, por causa do uso contínuo (e necessário) de inibidores da bomba de prótons, inibem a secreção ácida tornando o estômago mais alcalino, favorecendo o crescimento de fungos no balão. Para o tratamento, em geral basta a suspensão os antiácidos e aumentar a ingestão de sucos mais ácidos, sem a necessidade de antifúngicos.
É PRECISO FAZER ACOMPANHAMENTO MÉDICO DURANTE O TRATAMENTO?
É muito importante não só o acompanhamento médico, mas também de outros profissionais durante o tratamento com o balão intragástrico. Por isso falamos que o tratamento é multidisciplinar. Profissionais das áreas de nutrição (nutricionista e nutrólogos), endocrinologia e psicologia podem ajudar neste processo, aumentando as chances de maior porcentagem de perda de peso e melhora no estilo de vida. De qualquer forma, o principal e o fundamental aliado para o sucesso do tratamento é você mesmo! Procure se adaptar às orientações da equipe e foque no processo de emagrecimento como sedimentação de um estilo de vida mais saudável.
APÓS RETIRAR O BALÃO INTRAGÁSTRICO EU VOLTO A ENGORDAR?
Não necessariamente! A manutenção do peso, independentemente do método escolhido para auxílio no emagrecimento (remédios, balão ou cirurgia), depende da sua disciplina, mudança de hábitos e força de vontade. Durante o período de tratamento procure seguir as orientações de profissionais para uma reeducação alimentar, adquirindo hábitos alimentares mais saudáveis, manter o seu equilíbrio psicológico, bem como a prática de atividades físicas, pois é isso que irá garantir a manutenção do peso depois da retirada do balão intragástrico.
EXISTEM MUITOS EFEITOS COLATERAIS? O QUE É A FASE DE ADAPTAÇÃO?
Nos primeiros dias após a colocação do balão é muito comum apresentar náusea, vômito e dor abdominal. É o que chamamos de fase de adaptação, pois o organismo precisa se adaptar à presença do balão intragástrico, que é interpretado como um corpo estranho, causando contrações muito intensas no início do tratamento para “tentar expulsar” o balão. Após esse período de adaptação, o desconforto diminui bastante. De qualquer forma, são prescritos medicamentos para minimizar ao máximo estes efeitos. Vale lembrar que cada organismo é diferente do outro e a sensibilidade e tolerabilidade é muito variável. Por causa dos sintomas apresentados nessa fase, associado a baixa ingestão hídrica e alimentar, alguns pacientes podem apresentar certo grau de desidratação, por isso, o paciente leva consigo, além das medicações prescritas para minimizar esses sintomas, uma carta de encaminhamento ao pronto-socorro para realização de hidratação e medicações sintomáticas por via intravenosa, se necessário for. Durante essa fase a nossa equipe estará totalmente disponível para retirar todas as suas dúvidas e apoia-lo nesse período.
APÓS O TEMPO ESTIPULADO DE PERMANÊNCIA COM O BALÃO INTRAGÁSTRICO, EU POSSO OPTAR POR CONTINUAR COM ELE?
Não!! O prazo máximo de permanência do balão intragástrico deve ser aquele preconizado pela bula (pelo fabricante do balão), seja 6 meses ou 12 meses. Ultrapassar esse prazo somente após autorização médica e por motivos específicos. De acordo com a literatura médica, ele não possui eficácia após o período preconizado, além do maior risco de rompimento e outras complicações. Se você desejar perder mais peso e/ou deseja permanecer mais tempo com esse método para sedimentar melhor a mudança dos hábitos, você pode colocar um novo balão intragástrico.
É GARANTIDO O RESULTADO COLOCANDO O BALÃO?
Infelizmente não! Como qualquer tratamento médico, não há garantia de resultados. Especificamente sobre o tratamento do sobrepeso e obesidade, os resultados dependerão muito do engajamento do paciente, seguindo corretamente o tratamento, com acompanhamento nutricional adequado e praticando exercícios físicos regulares, por exemplo. Além disso, cada organismo tem uma velocidade de metabolismo, o que pode acelerar o retardar a perda de peso. Um erro muito comum é realizar comparações entre pacientes, principalmente no número de quilos perdidos, pois 20 kg perdidos representam quantidade diferente para um paciente que pesa 100 kg de outro que pesa 80 kg.
E SE EU ENGRAVIDAR DURANTE O USO DO BALÃO?
Provavelmente será necessário a retirada precoce do balão. A presença do balão pode prejudicar o crescimento do bebê (pode causar desnutrição), além de provocar muitos sintomas gastrointestinais na gestante. A diminuição da gordura corporal aumenta a fertilidade, para ambos os sexos, portanto sugerimos realizar anticoncepção contínua durante o tratamento, com auxílio do especialista. Uma vez identificada a gestação, precisaremos planejar o melhor momento para a retirada. A maioria dos ginecologistas tem optado por retirar o balão após o 3o mês de gestação, porém a conduta deve ser individualizada em cada caso.
EU JÁ FIZ CIRURGIA BARIÁTRICA, POSSO COLOCAR O BALÃO?
Não pode! De nenhum tipo! Independente da cirurgia realizada ou do tempo do procedimento. Na verdade, qualquer cirurgia realizada no estômago ou esôfago torna o procedimento de balão proibitivo, incluindo cirurgias de úlceras, de correção de hérnia de hiato (válvula anti-refluxo), entre outras. Se o paciente apresenta reganho de peso após a cirurgia bariátricas do tipo ByPass, outros tipos de tratamento podem ser tentados, como o plasma de argônio ou a gastroplastia endoscópica.
MEUS ESTÔMAGO CRESCE COM O BALÃO? APÓS A RETIRADA, FICARÁ UM “BURACO” AONDE O BALÃO ESTAVA?
Não! O estômago é um órgão elástico, e a capacidade de reservatório do estômago volta a ser o de antes da implantação do balão.
QUANTO CUSTA O BALÃO INTRAGÁSTRICO?
Os valores podem variar de acordo com o tipo do balão escolhido. Porém as formas de pagamento são bem flexíveis. “Clique aqui e fale conosco”!
COMO É FEITO O PROCEDIMENTO?
A colocação do balão intragástrico é normalmente feita dentro de uma unidade de endoscopia especializada, como um procedimento ambulatorial. O procedimento geralmente leva cerca de 30 minutos, e o paciente pode receber alta algumas horas após a colocação do balão. O jejum de 8 horas é extremamente necessário. E algumas medicações deverão ser suspensas antes do procedimento. Todas essas informações são conversadas durante a consulta e enviadas aos nossos pacientes antes do procedimento.
O VOLUME DE PREENCHIMENTO FAZ DIFERENÇA?
Não existe diferença no volume de preenchimento entre os principais tipos de balão intragástrico. O importante é seguir a orientação de cada fabricante. De acordo com a literatura médica, não há associação entre maiores volumes de preenchimento do balão com maiores perdas de peso.
O TEMPO DE PERMANÊNCIA FAZ DIFERENÇA NA PERDA DE PESO?
Depende! Vários estudos foram realizados comparando a perda de peso entre os tratamentos de seis meses e um ano de duração, mas, na média, não existe diferença significativa na perda de peso máxima entre os dois tratamentos. A diferença está principalmente no tempo em que o paciente terá para se adaptar a um novo estilo de vida, com hábitos mais saudáveis e uma adequada reeducação alimentar. É claro que cada caso deve ser individualizado, portanto é sempre importante um diálogo aberto com o seu médico.
COMO EU SEI SE ESTOU EMAGRECENDO?
A forma mais conhecida de se avaliar a perda de peso sem dúvida é através do valor em quilos quando subimos na balança. Porém não é a única forma, muito menos a melhor! Durante o tratamento nós incentivamos muito a prática de atividade física e portanto, há um natural e desejado aumento da massa magra. Essa massa muscular também “pesa” na balança. Portanto, costumamos orientar aos nossos pacientes mensurar o emagrecimento através de outras formas, como a medida da porcentagem de gordura através da bioimpedância, ou pela comparação das suas medidas corporais, como circunferência da cintura abdominal, do bíceps e da coxa.
O QUE É A TAL DA MASSA MAGRA?
A massa corporal magra, ou apenas massa magra, é o termo usado para se referir a todo o peso do nosso corpo que não seja gordura, incluindo os órgãos, pele, ossos, água corporal e massa muscular. É muito comum que as pessoas confundam esse termo com massa muscular, como se fossem a mesma coisa, ou o associem com a perda de peso na balança. O peso de seus órgãos não mudará muito ao longo do tempo, e a densidade óssea diminuirá um pouco com o tempo, mas não afetará significativamente o peso. Portanto, devemos focar com variantes da massa magra a porcentagem de água corporal e a massa muscular.

Considerações do especialista

  • Não há limite máximo de idade para implante de balão se o paciente estiver em condições clínicas adequadas para procedimentos endoscópicos.
  • A idade mínima recomendada para implante de balão é ≥12 anos, com puberdade estabelecida, após falha do tratamento clínico e/ou com a presença de comorbidades, com avaliação da equipe multidisciplinar e autorização por escrito de ambos os pais.
  • O tratamento para obesidade com o balão intragástrico é um tratamento multidisciplinar. Apenas o balão não trará os resultados satisfatórios.
  • O acompanhamento nutricional é fundamental para conquistamos êxito o emagrecimento saudável e sustentado.
  • As atividades físicas, além de acelerar sua perda de gordura, ajuda no aumento da massa muscular, que é responsável pelo aumento natural do metabolismo.
  • Considere que nem sempre a quantidade de quilos perdida é o mais importante na mensuração do sucesso. Existem formas mais eficazes e fidedignas para isso.
  • Os fatores psicológicos podem interferir no comportamento alimentar. A avaliaremos da necessidade de um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico faz parte do processo. Especialmente nos pacientes portadores de depressões, distúrbios compulsivos e/ou de dependências de medicamentos ou aqueles com extrema ansiedade. É importante tratar os fatores que levam à obesidade direta ou indiretamente.
  • Algumas doenças metabólicas podem favorecer diretamente o ganho de peso e dificultam a perda, tais como diabetes e hipotireoidismo. Por isso é importante considerar a avaliação do endocrinologista.
  • Considere que a obesidade é doença crônica e multifatorial, portanto, não há tratamento rápido, milagroso e definitivo.
  • Pacientes que fazem a associação do balão + atividades físicas + orientação nutricional, aumentam em muito os índices de sucesso no final do tratamento.
  • Recomendamos fortemente evitar o uso abusivo de álcool, especialmente cerveja (agressor gástrico e carboidrato complexo), líquidos gasosos, doces, açucares e frituras durante todo o tratamento.
  • Tenha consciência de que os resultados não dependem somente do seu médico, mas dependem principalmente de você, do seu objetivo e do seu empenho.
  • Existe um risco mínimo (<1%) de intolerância prolongada do balão dentro do estômago, com sintomas importantes por mais de 15 dias. Se for necessário que o tratamento seja interrompido precocemente, sob pena de risco para sua saúde, o médico poderá indicar essa interrupção, com a retirada precoce do balão.
  • Ao final do período determinado previamente para retirar o balão, você entende e tem a responsabilidade entrar em contato para agendar sua retirada, caso contrário, você assumirá riscos desnecessários pela permanência indevida do balão no organismo.
  • A introdução do balão é o pontapé inicial para a sua melhora da qualidade de vida.
  • O balão é uma alternativa para pacientes que não querem se submeter a um processo cirúrgico irreversível e com mais riscos de complicações.
  • O balão é uma alternativa para pacientes que já tentaram dietas e redução de peso através de medicamentos sem sucesso.
  • O nutricionista ajuda a te proporcionar mais qualidade em suas refeições, além de ajudá-lo a desenvolver bons hábitos que serão fundamentais na manutenção do tratamento após a retirada do balão.
  • O exercício é importante para a redução geral do peso corporal e da manutenção subsequente da perda de peso.
Clique para exibir as Referências Bibliográficas

BALÃO INTRAGÁSTRICO ENDOSCÓPICO E SUAS INDICAÇÕES. https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/08/BALAO-INTRAGASTRICO-ENDOSCOPICO-FINAL-08.03.2021.pdf

Crossan K, Sheer AJ. Balão Intragástrico. [Atualizado em 9 de junho de 2022]. In: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www-ncbi-nlm-nih-gov.translate.goog/books/NBK578184/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-BR&_x_tr_pto=wapp

Schwaab ML, Usuy EN Jr, Albuquerque MM, Moreira DM, Derossi VO, Usuy RT. ASSESSMENT OF WEIGHT LOSS AFTER NON-ADJUSTABLE AND ADJUSTABLE INTRAGASTRIC BALLOON USE. Arq Gastroenterol. 2020 Jan-Mar;57(1):13-18. doi: 10.1590/S0004-2803.202000000-04. PMID: 32294730. https://doi.org/10.1590/S0004-2803.202000000-04

Neto MG, Silva LB, Grecco E, de Quadros LG, Teixeira A, Souza T, Scarparo J, Parada AA, Dib R, Moon R, Campos J. Brazilian Intragastric Balloon Consensus Statement (BIBC): practical guidelines based on experience of over 40,000 cases. Surg Obes Relat Dis. 2018 Feb;14(2):151-159. doi: 10.1016/j.soard.2017.09.528. Epub 2017 Sep 28. PMID: 29108896.

Kim SH, Chun HJ, Choi HS, Kim ES, Keum B, Jeen YT. Current status of intragastric balloon for obesity treatment. World J Gastroenterol. 2016 Jun 28;22(24):5495-504. doi: 10.3748/wjg.v22.i24.5495. PMID: 27350727; PMCID: PMC4917609.

Gollisch KSC, Raddatz D. Endoscopic intragastric balloon: a gimmick or a viable option for obesity? Ann Transl Med. 2020 Mar;8(Suppl 1):S8. doi: 10.21037/atm.2019.09.67. PMID: 32309412; PMCID: PMC7154325.

The elipse balloon, a swallowable gastric balloon for weight loss not requiring sedation, anesthesia or endoscopy: A pilot study with 12-month outcomes ; Publicado na Surg Obes Relat Dis. 2017 Jul;13(7):1174-1182. doi: 10.1016/j.soard.2017.02.016. Epub 2017 Feb 21

Orso IRB. Quando e para quem indicar cada tipo de balão intragástrico?. Endoscopia Terapêutica; 2021. Disponível em: https://endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/quando-e-para-quem-indicar-cada-tipo-de-balao-intragastrico/

Gollisch KSC, Raddatz D. Endoscopic intragastric balloon: a gimmick or a viable option for obesity? Ann Transl Med. 2020 Mar;8(Suppl 1):S8. doi: 10.21037/atm.2019.09.67. PMID: 32309412; PMCID: PMC7154325.