Como os Transtornos Alimentares afetam a qualidade de vida de seus portadores?

Para falarmos de transtornos alimentares e como eles afetam o dia a dia das pessoas que possuem esses transtornos, precisamos primeiramente entender o conceito de qualidade de vida. Esse conceito tem sido muito discutido e pesquisado em serviços de saúde e outros campos do saber, o qual parece ser consenso que qualidade de vida abrange o estado físico, mental e social, além de considerar outros parâmetros que afetam a vida do ser humano, como por exemplo relações sociais, rotina de trabalho, meio ambiente, segurança e lazer.

No campo da saúde mental, considera-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS) é a que melhor define esse termo, pois considera além dos conceitos acima citados, a própria percepção da pessoa, um fator importante a mensurar quando se trata de qualidade de vida, ou seja, a forma como ela encara o dia a dia, seus objetivos, expectativas, preocupações, valores morais e espirituais.

Quando se trata de transtornos, uma revisão sistemática sobre estudos que avaliaram a qualidade de vida em pessoas com transtornos alimentares, revela que estes pacientes apresentam prejuízos na qualidade de vida, quando comparados a pessoas consideradas normais e as que possuem outros transtornos mentais, como por exemplo depressão ou ansiedade.

Transtornos alimentares são doenças mentais e físicas graves, mas tratáveis, que podem afetar pessoas de todos os gêneros, idades, raças, religiões, etnias, orientações sexuais, formas corporais e pesos. Os transtornos alimentares mais comuns são a bulimia nervosa, anorexia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica, sendo este último o mais frequente.

Dentre os aspectos físicos que atingem a pessoa que possui algum transtorno alimentar, podemos destacar a desidratação e desnutrição na anorexia, problemas no estômago e desconforto intestinal na bulimia, sobrepeso e até obesidade no transtorno de compulsão alimentar. Os aspectos emocionais são determinantes no diagnóstico desses transtornos e podemos destacar a tristeza, baixa autoestima, remorso e até ideação suicida.

Socialmente, essas pessoas também são bastante impactadas! Problemas de relacionamento familiares, bullying, restrição social (não frequentar piscinas, praia, fazer esportes, frequentar festas) e no caso de pacientes com transtorno de compulsão alimentar em que a obesidade está associada, a pessoa pode experimentar a mobilidade reduzida e o preconceito que hoje conhecemos como gordofobia.

Podemos observar que a qualidade de vida da pessoa que possui transtorno alimentar é prejudicada devido aos fatores citados acima e que afetam o seu dia a dia, sendo que os fatores emocionais são mais prejudicados dos que os fatores físicos, conforme observado na revisão sistemática. Por isso, para manter a qualidade de vida nessas pessoas é extremamente necessário o seu diagnóstico e tratamento.

O tratamento de transtornos alimentares é sempre realizado com equipe multidisciplinar e envolve profissionais como médico psiquiatra, psicólogo e nutricionista. Mas, se o paciente já tiver com algum efeito na sua saúde física, como por exemplo anemia, braquicardia ou alterações nos exames de sangue, pode ser necessário o envolvimento de mais especialistas. 

 

Elaine Nogueira Izzo
Psicóloga
CRP 06/99940

 

REFERÊNCIAS